sexta-feira, 11 de julho de 2025

À sombra do tamarindo


 

Era desejo seu, depois de morto,

pelo muito que amou o tamarindo,

ter sob os galhos o justo repouso

dos cansaços que o iam consumindo.

 

Mas, por motivos que ofendem o pejo

e hoje o fazem do berço apartado,

longe do engenho ele foi enterrado

– e não se satisfez o seu desejo.

 

Mãos amigas, então, se deslocaram

com sementes da árvore, e as plantaram

na terra onde agora ele repousa. 

 

Por esse gesto, que da morte zomba,

pôde o poeta descansar à sombra

do tamarindo próximo a sua lousa.

2 comentários:

  1. Que esmero, Chico Viana! Muito bom soneto.


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