sábado, 18 de maio de 2019

As marcas


Recolhida no quarto, a mãe pensava:  
“Acho que nasceu velho esse menino.”
Bem poucas vezes ele demonstrava    
gestos de rebeldia ou desatino.

Ensimesmado, quase nunca ria,
no cuidado de sempre andar correto.    
Como se lhe refreasse a alegria  
o triste olhar de alguém que estava perto.

Sem que ela o veja, o menino se acerca
e a surpreende (olhando pela fresta)  
entregue mais uma vez à solidão.

Foi desse quadro – ele nunca o disse –
que lhe vieram as marcas de velhice  
há muito impressas no seu coração.

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